Deus seja louvado!

Já discuti em outro artigo os possíveis impactos de um Estado laico para o cristianismo e não vou me repetir, mas você pode ler aqui. O recente movimento do Procurador Substituto do Ministério Público de São Paulo tem duas implicações na minha visão:

A primeira tem a explicação mais simples possível, ganhar um pouco de fama. Quem começasse esse movimento certamente ganharia os holofotes da mídia, visto que é um assunto polêmico num país que, segundo o IBGE, em 2010 tinha 89% da população cristã (católicos / evangélicos / espíritas) ou seja,  acreditam no Deus cristão. Embora laico, o Estado admite uma entidade superior (laico, não necessariamente quer dizer ateu), de onde teriam sido moldados os valores morais e éticos, que constam na Carta Magna da nação, a Constituição. Além disso o cristianismo está fortemente entrelaçado com a cultura do nosso país. E exatamente por esse motivo não vejo problema algum em ter a inscrição de que Deus seja Louvado nas notas, mas por outro lado, assim como o cristianismo está entrelaçado com a cultura, essa frase tem mais a ver com uma frase qualquer do que com o real significado que carrega, afinal de contas, quem pediu a inserção do texto foi o ex-presidente e hoje Senador (vitalício) José Sarney – quem tem entendimento, entenda.

A segunda implicação é o que significa tirar a frase “Deus seja louvado” das notas. Se você acha que de alguma forma isso vai afetar a forma como Deus vê a nossa nação, ou que ficamos menos crentes por causa disso, creio que sua percepção do cristianismo está com alguns problemas. Enfim, alguns vão ter os seus “brios” cristãos abalados, mas nada vai acontecer. Nada mesmo!

Nunca é tarde para reforçar a idéia, mas Deus se relaciona com pessoas, não com instituições, governos ou “coisas”, como lemos em At 7:48-51. O último local físico que Deus habitou foi o templo de Salomão, o qual foi destruído. Deus habita em cada um de nós por intermédio do Espírito Santo. Dinheiro não precisa afirmar que crê em algo, não será salvo nem irá para o inferno, muito pelo contrário (1 Tm 6:10). Não se passa mais sangue de cordeiro nos umbrais das portas.

Adão e Eva não tinham dinheiro ou templos. Foi a queda que nos separou de Deus e cada dia mais o faz, degenerando a criação cada dia um pouco mais, quase como seguisse a 2a lei da Termodinâmica. Cada vez mais as pessoas se distanciam dos princípios básicos do cristianismo e ritualizam a fé. Não é por que está escrito uma frase numa nota que deixaremos de ser amados ou abençoados por Deus. Isso é como voltar à época de Moisés e ao bezerro de ouro.

Hoje em dia existe uma multiplicação de formas de se “comprar” fé ou favores de Deus, como se Ele fosse obrigado a nos atender após alguma cerimônia qualquer. Talvez você consiga favores assim do diabo, mas não de Deus. Essa ritualização do cristianismo (Pedro seguia a lei judaica) foi abominada por Paulo (Gl 2:16) – um artigo interessante lê-se aqui. É como escrever alguma frase de efeito na porta e achar que por causa disso nada vai lhe acontecer. Em Sl 127:1 lê-se que “Se o senhor não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela”. Assim, não deposite sua fé em símbolos, você pode estar caindo numa armadilha muito ruim. Lembre-se, Deus tem o tamanho e força que você dá a Ele.

Para fechar, é óbvio que ter a frase nas cédulas é legal, mas o louvor é seu e não da cédula. Como Jesus disse em Mt 22:21, “A César o que é de César”. Se o estado é laico, que o seja. Em nada aflige ao cristianismo e igualmente não deveria afetar a sua fé. Não se escandalize por causa disso e louve a Ele, com ou sem frases de efeito.

Fique na Paz!

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