Estado laico é bom ou ruim?

Bom, eu gosto muito da Wikipedia, e não vou reinventar a roda, portanto vamos a definição do que seria um Estado laico ou secular.

Um Estado secular ou estado laico é um conceito do secularismo onde o Estado é oficialmente neutro em relação às questões religiosas, não apoiando nem se opondo a nenhuma religião. Um estado secular trata todos seus cidadãos igualmente, independente de sua escolha religiosa, e não deve dar preferência a indivíduos de certa religião. Estado teocrático ou teocracia é o contrário de um estado secular, ou seja, é um estado onde há uma única religião oficial (como é o caso do Vaticano e do Irã).

No Brasil o estado é laico, embora por questões culturais tenhamos crucifixos em órgãos governamentais e nossas cédulas tenham inscrito “Deus seja louvado”.

Os exaltados e alarmistas (não unicamente os ateus) acham isso um absurdo, pois se o Estado é laico, não poderia ter nenhum símbolo religioso em lugar algum. Eu acho isso um preciosismo danado e tais símbolos são mais de natureza cultural do que religiosa. Se formos nessa linha, não devemos ter estrelas de 5 pontas (pentagrama) nas bandeiras, pois é um símbolo religioso (Pitágoras, não me mate). Certamente em locais onde há maior sincretismo religioso, como a Bahia, vamos encontrar a cruz junto a outros elementos religiosos.

Recentemente com o caso do Mensalão petista, veio à tona a reclamação quanto à cruz dentro do tribunal máximo da nação. Não podemos querer de uma hora para outra extirpar a força a cultura a qual fomos criados. Nossa história sempre foi envolvida pelo cristianismo católico, visto ser essa a religião de nossos colonizadores. E a cruz carrega com si um símbolo de paz e justiça. Se formos nos apegar a besteiras, temos que retirar todas as fguras da justiça com espada e balança, pois é a representação da deusa Têmis.

Tirando as besterias de lado, pois um símbolo só tem poder para aquele que crê em tal símbolo, um estado laico é indiferente para o cristianismo. Uma teocracia só terá sentido com a volta de Cristo (para os cristãos). Partindo do conceito cristão que o homem é um ser caído, ele é imperfeito e toda imperfeição tende a piorar quanto mais pressão sofre ou poder se dá a mesma. Pergunte para uma falha micrométrica numa pá de titânio de uma turbina de um jato moderno. A imperfeição sob estresse, mata.

Mas ok, na Bíblia lemos em Salmos 33, versículo 12 que “Feliz a nação cujo Deus é o Senhor…”. Certamente que feliz será a nação, mas a nação são as pessoas que a formam, não o Estado. O Estado é uma invenção humana, assim como as fronteiras. Os cristãos se esquecem que o relacionamento com Deus (ao menos os que acham que vivem após o Evangelho) é unitário, uma relação 1:1. Se todas as pessoas de uma dada nação forem cristãs, essa será uma nação cristã e que será feliz, mesmo sendo o Estado laico.

Mas se o Estado for laico, quem vai brigar pelos interesses (Hummmm) dos cristãos? Ora bolas, vivemos um Estado democrático e de direito (embora brasileiro não saiba para que serve) e como sociedade organizada, podemos lutar pelos nossos direitos pelas vias democráticas, elegendo pessoas que tenham valores semelhantes aos nossos (não necessariamente o apontado pelo pastor) ou fazendo abaixo-assinados e passeatas para informar sua posição. Todo cristão deveria saber que é responsável pelas escolhas que faz, mais do que qualquer outro e saber que atitudes feitas sem pensar podem ter um resultado indesejado. Mais do que nunca, colhemos aquilo que plantamos. Será que toda robalheira e corrupção generalizada na política não demonstra isso? Como esperamos colher um fruto bom de árvores podres (Mt 7:18) que colocamos para nos dirigir? E veja, se olhar o versículo 19, verá o que tem que ser feito com as árvores que dão fruto ruim. Mas antes que me acusem de querer queimar o povo, o sentido para nossa vida real é que se um político não fez nada do que falou ou não atendeu as suas expectativas, vote em outro. Simples assim. Não vou entrar nessa seara agora, mas leia o versículo 20… me lembra o Mensalão (no momento petista).

Enfim, o Estado laico em nada aflige ao cristianismo, pois quem tem que ter os valores cristãos são as pessoas. Pessoas legislam, julgam, votam. Temos que para de achar que alguém tem que dar um rumo na nossa vida (Jesus já o fez) e entender que é nossa responsabilidade a nação (ou o mundo) ser como o é e só vai mudar se nós mudarmos. O homem é o gerador de mudanças e Deus trabalha com homens, não com instituições.

Não se aflija com o Estado laico ou secular. Aflija-se com a moral e a ética das pessoas que você vota para fazer as leis que você vai ter que se submeter. Se Jesus se submeteu à lei dos homens (Mt 26:51-53), quanto mais nós (1 Pe 2:13). Aflija-se em “ser tu uma bênção” (Gn 12:2)!

Fiquem na paz!

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